Como lidar com as restrições contidas nesta RTU para receitar Baclofeno ?

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Como lidar com as restrições contidas nesta RTU para receitar Baclofeno ?

Mensagem por lili em Sab 24 Maio 2014 - 21:43

A primeira Recomendação Temporária para a Utilização (RTU) de um medicamento foi estabelecida para o baclofeno em relação ao tratamento do alcoolismo.

Como lidar com as restrições contidas nesta RTU para o receitar ? As respostas do Dr. Renaud de Beaurepaire, psiquiatra, chefe do serviço no hospital Paul Guiraud, Villejuif ( Val-de-Marne), pioneiro na prescrição do baclofeno para o alcoolismo
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Por Jean-Philippe RIVIERE




VIDAL : O que é que a RTU para o baclofeno (Recomendação Temporária de Utilização)  muda para os prescritores ?
 
Dr Renaud de Beaurepaire : A RTU é uma autorização para prescrever perante certas condições. Há duas maneiras de ver essas condições : a simples, que é ir à internet, ver o que é a RTU e preencher formulários, existe um portal (Portail RTU baclofène),é extremamente simples deste ponto de vista. Quando vemos o que nos é pedido neste portal RTU, introduzimos todos os pacientes sem nenhum problema porque é muito pouco exigente. Por outro lado, o rótulo RTU é muito restritivo e vinculativo.

VIDAL : Quais são as restrições e os constrangimentos ligados a esta RTU ?

Dr Renaud de Beaurepaire : A primeira restrição é que só um paciente que tenha sido tratado de outra maneira recorrendo aos tratamentos habituais pode entrar na RTU. Não podemos dizer se esses tratamentos são através de medicamentos, ou se são psicológicos, ou cura, dizem que o paciente só poderá entrar neste protocolo no caso de ter tido insucesso com os outros tratamentos.
É o fundamento da RTU, mas isso contorna-se ( nem sempre), pois a maioria dos pacientes fracassaram com outros tratamentos. Agora, se aprofundarmos um pouquinho mais, o que é que quer dizer ter fracassar com outros medicamentos ? Para chegar ao extremo, nunca vi nenhum doente que não tenha tentado ele próprio, chegando um dia em que diz, bem, vamos lá, eu páro. Por isso, para mim, é um paciente que tentou parar. Desta maneira, vou incluir todos os pacientes, mesmo aqueles que nunca tiveram outros tratamentos, porque sei que eles próprios se deram conta de que tinham um problema e que tentaram parar por eles mesmos.

VIDAL : Quais são as outras restrições ?

Dr Renaud de Beaurepaire : Não podemos incluir, ou seja, prescrever baclofeno aos  pacientes que têm problemas psiquiátricos, pacientes bipolares, esquizofrénicos, profundamente deprimidos, é assim que a RTU estabelece. Os esquizofrénicos, é absurdo : tive muitos doentes esquizofrénicos, sou psiquiatra, tive muitos alcoólicos entre os esquizofrénicos, não lhes dar baclofeno é absurdo , porque isso funciona muito bem neles, têm todos uma cobertura neuroléptica, têm menos efeitos secundários  com o Baclofeno por razões que desconheço. Talvez porque têm um certo número de outros tratamentos e o baclofeno atua um pouco como um neuroléptico. Houve mesmo experiências de Baclofeno sobre a esquizofrenia, nos Anos 70.
Nunca tive problemas com esquizofrénicos tratados com baclofeno, isso não agrava os sintomas, eles têm uma cobertura neuroléptica que faz com que tenham poucos efeitos indesejáveis, aliás é muito curioso. Disse isso à ANSM mas, bem, eles não são obrigados a acreditar em mim…


VIDAL : Como prescrever baclofeno em caso de doença bipolar ?

Dr Renaud de Beaurepaire : Os pacientes bipolares, é mais aborrecido, efectivamente o baclofeno pode desencadear estados maníacos. Mas, é preciso saber duas coisas, muito simplesmente :
Ou os bipolares são conhecidos como tais e têm um tratamento para a sua bipolaridade e nesse caso, aquilo que faço sistematicamente é que aumento o tratamento. Quando dou baclofeno a um bipolar, está a tomar lítio ou Depakine.
Ou não se conhece a bipolaridade, damos baclofeno e isso desperta um estado maníaco, mas nesse caso, como não conhecíamos a bipolaridade, não se trata de uma contra-indicação do Baclofeno…

VIDAL : A depressão profunda está igualmente contra-indicada pela RTU. O que fazer na prática ?
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Dr Renaud de Beaurepaire : Isso, compreendo que seja um problema, mas dei baclofeno a doentes profundamente deprimidos e não agravei a depressão, aliás, seria mais o contrário. Enfim, quero crer que haja um risco para estes pacientes, acho que o importante para os pacientes com perturbações psíquicas, é que sejam muito bem vigiados.
O tratamento com baclofeno exige uma aliança terapêutica com o paciente, sem dúvida, é essencial na condução do tratamento. Quando não existe aliança, o tratamento torna-se muitas vezes ineficaz e é aí que se vêem as complicações psiquiátricas : é necessário haver uma real aliança terapêutica e que os médicos sigam muito, muito bem o seu paciente e nesse caso, geralmente corre muito bem.

Informações recolhidas no dia 27 de Março no Hospital Paul Guiraud (Villejuif).

Tradução : Elisa Lopes
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