O baclofeno na prática: que acompanhamento e que reembolsos? Entrevista ao Dr. Renaud de Beaurepaire

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O baclofeno na prática: que acompanhamento e que reembolsos? Entrevista ao Dr. Renaud de Beaurepaire

Mensagem por lili em Seg 26 Maio 2014 - 18:07

Por Jean-Philippe RIVIERE
Data de publicação : 13 Maio de  2014

O Dr. Renaud de Beaurepaire, psiquiatra, chefe de serviço no Hospital Paul Guiraud, Villejuif ( Val-de-Marne) e pioneiro da prescrição do baclofeno para o alcoolismo, explica-nos qual o acompanhamento que faz após o início de um tratamento com baclofeno. Diz-nos também que os pacientes, em geral, foram reembolsados, antes da Recomendação Temporária de Utilização (RTU).

VIDAL : Após a prescrição do baclofeno, como segue os doentes ?
 

Dr. Renaud de Beaurepaire : No início do tratamento, revejo os doentes 3 semanas depois ou um mês. Primeiramente, é preciso saber que no início do tratamento as doses são muito fracas, visto que as doses são aumentadas muito progressivamente. Ao ritmo a que normalmente prescrevo o baclofeno, ao fim de um mês, eles estão a 9 ou 10 comprimidos por dia, mesmo assim é uma dose ainda fraca. Se houver ocorrências indesejáveis antes do fim do primeiro mês, os pacientes têm o meu número de telefone, telefonam-me e corre tudo facilmente, isso é muito comum. Têm a indicação para pararem o aumento das doses se houver efeitos indesejáveis constrangedores, para ficarem no patamar inferior : compreendem isso muito bem e fazem-no.

VIDAL : E depois do primeiro mês?

Dr. Renaud de Beaurepaire : Após o primeiro mês, implicamos muito mais o paciente no tratamento que faço, aumento um comprimido de 3 em 3 dias. Eles experimentaram durante o primeiro mês este aumento, por isso sabem geri-lo. Depois de um mês, temos mais como meta os horários de toma do baclofeno em função do consumo de álcool. O primeiro mês é mais um mês de tolerância para saber se toleram o tratamento, depois o alvo são mais os horários.

VIDAL : Como é que faz para identificar este ou aquele horário de consumo de álcool ?

Dr. Renaud de Beaurepaire : É necessário saber que o baclofeno tem uma duração de vida de mais ou menos 4 horas, por isso, tomar baclofeno às 8h da manhã, quando se bebe a partir das 18h, o que acontece muitas vezes, é inútil. O que não deixa de ser uma boa coisa manter a cobertura baclofeno todo o dia, ou seja, tomar de manhã, ao meio- dia e à noite, mas as doses da manhã e do meio- dia só devem servir para habituar o cérebro à presença do baclofeno. Vamos forçar a dose por volta das 17, 18 horas, geralmente quando os pacientes saem do trabalho (é um exemplo).
De facto, ensina-se ao paciente a utilizar o baclofeno em função dos momentos em que ele sente desejo de beber, das tensões (stress) da existência. Muitos pacientes sentem vontade de beber quando surge um acontecimento stressante e então aí dizemos-lhe para tomar 2 ou 3 comprimidos a mais nessa altura. Há muitas variedades de receitas que levamos a cabo com os pacientes e eles, os pacientes, responsabilizam-se, pouco a pouco, e é aí que algumas recomendações da ANSM, da RTU são absurdas… :vamos vê-los, os pacientes responsabilizam-se, gerem o tratamento em função do desejo deles de beber.

VIDAL : Qual vai ser, para os pacientes, o impacto financeiro da RTU baclofeno ?

Dr Renaud de Beaurepaire : É uma pergunta muito importante e não tenho resposta. A minha ideia era, quando a RTU apareceu, que necessariamente, os pacientes incluídos nesta RTU seriam reembolsados. Não é sempre o caso quando se prescreve fora da AMM, mesmo quando é o caso, depende um pouco  da caixa de seguro de doença. Para mim, isso era evidente, uma vez que havia uma autorização, mas parece que não acontece assim. No entanto, parece que o assunto está a ser tratado e que os pacientes serão reembolsados dentro em breve, de maneira uniforme, se estiverem enquadrados pela RTU, mas ao certo não sei.

VIDAL : E para os pacientes que já estão em ALD ( Afecções de Longa Duração [ Doenças Crónicas]) ?

Dr. Renaud de Beaurepaire : Se for assim, a meu ver serão reembolsados. Se houver ALD ( doença crónica) para o alcoolismo, a priori, deveriam ser reembolsados, mas  não sei. Devo dizer que nunca me preocupei muito com isso, que é muito raro os pacientes não serem reembolsados, que nunca acrescentei nas minhas receitas « hors AMM» (off-label) e que passou sempre. Com certeza que tive alguns telefonemas ou cartas de médicos do Serviço Nacional de Saúde que ficavam descontentes, mas não liguei e nunca me arrependi, foram poucos casos, mas na maioria das vezes nunca tive problema e os pacientes foram reembolsados sem sequer pedirem.

Informações recolhidas no dia 27 de Março no Hospital Paul Guiraud (Villejuif), França
Tradução: Elisa Lopes
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