NOTÍCIA DO JORNAL " LE PARISIEN" (traduzida)

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NOTÍCIA DO JORNAL " LE PARISIEN" (traduzida)

Mensagem por lili em Seg 10 Mar 2014 - 14:58

BACLOFENO: ESTÁ QUASE A VENCER
Após meses de atraso, este medicamento “milagroso” deverá finalmente ser autorizado para tratamento do alcoolismo.

O Baclofeno finalmente prescrito oficialmente aos alcoólicos?
A Agência nacional da segurança do medicamento (ANSM) deverá finalmente dar luz verde até meados de Março! Os doentes que se apoiam através de fóruns, a que os seus médicos chamam «um a luta desumana» contra a adicção,  estão fartos de esperar. Alguns médicos também. A tal ponto que na semana passada assinaram um texto intimando as autoridades para não se arrastarem face à dependência alcoólica que afecta pelo menos 3 milhões de Franceses e «causa mais de 130 mortes prematuras por dia, perante a indiferença quase generalizada».
O medicamento que “salva” os alcoólicos
Vendido em França com o nome Lioresal, o Baclofeno tornou-se no «medicamento que salva» aos olhos de milhares de doentes, em 2008. Foi o testemunho de um cardiologista, Olivier Ameisen ─ falecido em Julho passado ─ contando como se tinha curado ao administrá-lo a si próprio em altas doses, que o catapultou à categoria de medicamento miraculoso. Os doentes correram aos médicos para que lho prescrevessem, fazendo com que as vendas disparassem, tendo duplicado desde aí. Dois estudos clínicos estão em curso para avaliar cientificamente a sua eficácia. Para os médicos que o prescrevem sem autorização, como o professor Bernard Granger, chefe da unidade de psiquiatria Tarnier, em Cochin-Port -Royal, Paris, não há dúvidas quanto a essa eficácia. «Comecei a interessar-me pelo baclofeno quando uma paciente que bebia até não poder mais à noite, contou-me como, depois de ter tomado baclofeno, apenas se servira de um copo de vinho e após ter bebido um gole, voltou a pousá-lo sem sentir vontade de voltar a pegar nele. Este medicamento suprime de forma surpreendente o craving, esse desejo irreprimível que caracteriza a adicção e que torna o doente escravo do álcool.
Um dossier que se arrasta.
Face às prescrições selvagens que não pararam de subir (segundo alguns médicos os pacientes a tratar-se com baclofeno  contar-se-iam em dezenas de milhares), a ANSM prometeu solenemente em Junho dar um enquadramento formal . Isso deveria acontecer durante o Verão de 2013, depois no Outono, Dezembro, depois Janeiro de 2014. Agora, a Agência assegura que logo que a Cnil (Comissão nacional da informática e das liberdades), que se deve reunir em 13 de Março, dê o seu aval, será uma questão de dias a publicação de uma recomendação temporária de utilização (RTU). Esta RTU é uma «primeira», de onde a duração do processo, argumenta a ANSM. Tecnicamente, trata-se de definir em que enquadramento o baclofeno pode ser prescrito não só pelos neurologistas aos que sofrem de espasmos musculares graves causados pela esclerose por exemplo (para o que foi autorizado em França em 1974), mas também para os alcoólicos e com que posologia. Em doses elevadas, não funciona sem efeitos secundários, tais como perturbações neurológicas e psíquicas. No enquadramento de uma RTU os efeitos indesejáveis deverão ser assinalados, listados durante três anos por cada paciente, de onde a autorização necessária da Cnil.
As questões em suspenso.
«O baclofeno é um produto cuja prescrição não é fácil», afirma o Dr. Granger. O pessoal médico, onde existem adeptos do baclofeno, está dividido em relação a este assunto. Os pró-baclofeno  receiam ainda que a RTU peque por excesso de prudência limitando a dose diária a 200 mg. «É arriscar o insucesso de um em três pacientes», pensam aqueles que o prescrevem hoje de forma «selvagem». «Os neurologistas também o receitam em doses superiores. Ameisen administrou-o em si mesmo numa dose até 270 mg», defende Bernard Granger, que espera também que a autorização não porá de parte, como foi pensado, os doentes que sofrem de problemas psiquiátricos graves, como os bipolares e os depressivos não estabilizados. «Seria desconhecer que estas doenças, por vezes, estão associadas, suscitadas, ou agravadas pelo alcoolismo e que o desmame faz então parte do tratamento», sublinha o psiquiatra. Uma coisa é certa, a autorização, já redigida, e da qual a ANSM não desvendará nada enquanto aguarda luz verde da Cnil, fará crescer ainda mais as vendas.
Claudine Proust ( Le Parisien, 06/03/2014)
Tradução: Elisa Lopes
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